domingo, 21 de abril de 2013
terça-feira, 18 de dezembro de 2012
O gato e a janela
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| A Janela - José Boldt |
o céu se mistura à janela do quarto.
Temos tempo,
acarinho o gato na nossa cama.
Temos tempo,
minha mão cabe na sua instantaneamente.
Temos tempo,
para costurar lençóis puídos e afagos longos,
para embaçar os olhos e medir o medo.
Temos tempo,
guardamos a joia dos dedos famintos.
Temos tempo,
Temos tempo,
para costurar lençóis puídos e afagos longos,
para embaçar os olhos e medir o medo.
Temos tempo,
guardamos a joia dos dedos famintos.
Temos tempo,
provamos as horas infinitamente.
terça-feira, 4 de dezembro de 2012
Preta, luto.
Puta preta parida.
Preta até a raiz dos brancos.
Luto.
E quem tira essa escuridão do meu colo?
Meu filho preto?
Luto.
Puta preta parida
Pranteia a puta que o pariu.
Luto.
Escava teus pelos.
Rosna dentes à mostra.
Morde a carne alheia
e quebra os próprios ossos em oferenda.
Luto.
O bico do peito a céu aberto
Luto.
A pele morta a comer os vermes.
Luto.
A mão estéril a procurar abrigo.
Luto.
Trepo em manhãs de inverno.
sexta-feira, 14 de setembro de 2012
O silêncio daquela mata era da casa de alguém.
Cheirava uma presença inacabada.
O silêncio daquela mata era a casa de alguém.
Vivo, habitado e fresco.
Tirei os sapatos para não impor àquela terra outros caminhos.
Folhas escuras apodreciam à minha passagem, sem perderem o
viço.
Fada gorda de pés pequenos e leves,
mal tocavam o chão.
A lama envolveu os pés machucados
à flor da pele.
Quando morremos brotam flores da nossa pele.
A pele real é rosa
carmim.
O rio crescia nos meus ouvidos e eu descia para recebê-lo em
minhas pernas.
O rio. O buraco na rocha. O sexo da montanha.
(Como falta a às palavras!)
Escorria-me desfeita entre as pedras.
Era uma vez.
(silêncio)
Sentia a ausência do mundo no meu corpo.
E nesse tanto que faltava
ainda havia o resto de alguém.
Mesmo ido(a).
segunda-feira, 9 de julho de 2012
Vidro
Homens pequenos vivem engarrafados,
mensagens à deriva.
Decifra-me ó Porto Seguro,
me salva Terra!
Ancora-me os sentidos.
Só se pode andar sobre o imobilizado,
permanescente.
Navega homem de vidro:
vai partir.
terça-feira, 17 de abril de 2012
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