Corpos engordados no barro,
gandes, espaçosos.
Cabe até gente dentro deles.
Homem e mulher se abraçam na argila
e há espaço para os dois.
Afirmam-se dois.
Escoram-se.
O volume e o peso de seus corpos,
cheios de espaço,
nunca os deixaria cair.
O vazio é apenas uma paisagem interna.
Atelier Dalcir - Paraty
quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011
Estou do outro lado do mundo.
Lá,
do avesso de mim,
sigo impávida
a atravessar pessoas.
Não há muro ou coração que guarde meu olhar ultramarino.
Seus pés e pernas estavam cobertos por uma grossa camada de lama. Os olhos giravam em órbitas profundas e pareciam ter desvendado todos os segredos do universo.
Estava suja, vazia e estupefata: o barro é macio, a água arde e o ar alimenta tanto quanto qualquer pão.