sexta-feira, 15 de novembro de 2013













Sozinhos sem livros, muito menos historias.
Não há música nem lápis.
A única eletricidade disponível estremece as veias.
Apenas o som do corpo latejando.
Entranhas nos entram mais ainda e abrem vazios.
O ar corre pelos cantos,
A pele a secar.

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

terça-feira, 22 de outubro de 2013

Sal

Salar de Uyuni - Tom broadhurst













Ouço ondas espumando em teus olhos,
no vai e vem entre corpo e alma. 
Antes da pele anoitecer enxergo
A lágrima
A se afogar onde rende o sal.

És o salar que chora o suor brilhante de tantos sóis!
Sal onde vaga minha sede, 
tempera a carne e cega a vontade.

domingo, 29 de setembro de 2013

Pedras, cadáveres

Mulher haitiana fuma um charuto sobre escombros de um prédio, em Porto Príncipe // Reuters/Eduardo Munoz (Reuters/Eduardo Munoz)
Eduardo Munoz













Ao se deitar uma mulher sente sobre si todos os mortos com quem já dormiu.

O peso lhe esmaga as entranhas,
Amputa à mão o desejo de tocar o homem em carne viva ao seu lado na cama.

Sentia-se apedrejar.
Atiravam-lhe homens em cadáver.
Cabeças e dentes afiados sem dó da delicada pele que a protegia.


Não se ouviu grito até o corpo abdicar pedaços.

sábado, 29 de junho de 2013

Minha outra casa



Tem um homem do outro lado do mundo onde posso deitar e sonhar. É um homem amplo e sólido, de forma a receber quem queira nele se esticar ao sol. O homem tem jardim e perfumes que pensávamos extintos há milhares de anos. Na sua varanda me balanço a olhar as crianças correndo por ele todo, que se ri como se lhe fizessem cócegas. Um livro cai da minha mão quando ele me beija à tarde, na hora mais quente, e fecha as cortinas atrás de mim. Nesse homem há um fogo sempre aceso, feijão, pimentas, café e hortelã. Um cachorro grande e louro é seu amigo. E logo atrás do seu sorriso há um quarto branco com cheiro de algodão e música azulada para dançar na cama.

sexta-feira, 28 de junho de 2013

Teia



Olhei seu braço.
E os olhos se agarraram à força para evitar o abismo.
Traindo visão e vertigem,
minha mão se abriu para acertar o caimento do cabelo sobre a sua testa,
como se meus dedos pudessem acertar o fio da história,
desfazer a teia que nos mantinha suspensos
e suspensas as perguntas em nossos ouvidos.

Da queda
fui ao chão crescer enraizada na planta dos meus próprios pés
toda flor
sempre viva
eu o vi maior do que nunca,
aquele a quem acenei com a mão. 

segunda-feira, 17 de junho de 2013






















O vapor da sua barba exala agora
um perfume para abraçar meu rosto.
Fecha o tempo, troveja um susto no meu peito
e chove ruidosamente onde há verão.
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